Do outro lado da ponte
[Trilha com Nelly Furtado, aqui.]
Eu sei se um texto ficou bom ou não, na proporção exata em que ele me doeu pra escrever. Esquisito? Em muitos e muitos textos, eu choro. Escrevo como uma espécie de terapia, pra sentir primeiro aquilo que nem quero externar pro mundo, mas sai porque não podia ficar mais contido.
Isso é meio triste. Porque na felicidade a poeticidade também existe, mas é estranho, bom, mas diferente, porque às vezes parece que falta alguma coisa ruim... Texto de gente maluca.
Vasculhando nas memórias algum assunto, encontrei a carta que eu rabisquei na capa de um livro: “pra você”, era o destinatário. Não sei por que não mandei, talvez não quisesse passar a limpo o passado. Em letras garrafais eu te dizia: “acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso”. E achei curioso eu usar essa metáfora sem nem ao certo saber o que queria te dizer com isto. E depois de repousadas aquelas palavras eu percebi quanta coisa eu escrevi pra você, querendo dizer pra mim. Porque eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável ponte: a entrada do encontro.Você tão ocupado com seus mapas, tão equipado com sua bússola, demorou tanto, fez sinais de fumaça e não veio. Você simplesmente não veio. Mas me ensinou a intuir caminhos certos, a confiar nos passos, a desconfiar dos atalhos. Porque eu estava do outro lado e só. Sem amparo. Mas caminhava. E você estava absolutamente equipado com seu peso. E impedido de andar por seus medos.
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Os grifos são meus








