Suicídio

Era engraçado o modo como ela respirava. Quase sem querer e com uma vontade absurda de se sentir viva. O quarto dela parecia um filme antigo dos anos 70. Cores por todos os lados. A mesa cinzenta, a taça bem vinho do lado da cama, a colcha rosada, o sapato vermelho, as estantes de vidro azul, amarelo, verde, repletas de papéis e livros caoticamente organizados como em uma tela de Dali...
Sobre a cama, só ela. Parada. Pensando. Sobre o seu colo, papéis, projetos, planos minuciosamente calculados que a levariam além do lugar em que qualquer mulher ambiciosa desejaria chegar.... e ela simplesmente não sabia. Conhecia o lugar e gostava do gosto, mas não sabia. Como em uma canção de Baleiro, ela fingia que esquecia que do lado de fora da porta havia um mundo infinito de possibilidades para ela.... e só chorava.
Por um instante olhou a mão, encontrou as unhas e se perdeu. Saía um brilho tão forte delas que ofuscava simplesmente tudo aquilo que ela não queria ser. Luiza sentiu frio. Um frio tão profundo que quase lhe cortou a alma. Abandonou os papéis. Derramou o vinho. Deixou que o arco-íris chegasse, se assumiu em branco e preto e foi para a rua dançar.
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